Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 21 de maio de 2018
Letra viva
Cunha e Silva Filho
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O GOVERNO FEDERAL E A OPINIÃO PÚBLICA: O CASO BRASILEIRO


                                                                                                             Cunha e Silva Filho


          Nem é preciso ser economista ou cientista político para entender a situação ambígua e penumbrosa da realidade nacional. Aqueles dois especialistas, o mais das vezes, antes complicam do que informam claramente o que se passa no país chamado Brasil. Inclusive, assim fazendo, não falam ao povo na linguagem que este possa compreender. Usam, em geral, um discurso técnico, no qual a subjetividade (tão por vezes fundamental na comunicação na relações humanas) cede lugar proeminente à neutralidade e frieza dos pontos de vista político-ideológicos. O que lhes importa, sobretudo para os economistas, são as equações, números, cálculos e estatísticas. A felicidade de uma Nação não se mede pela bitola da riqueza de poucos em detrimento da desigualdade da maioria. A felicidade de uma país é consequência de um governo regido pela ética e pelo bem-estar coletivo. Não pelas recorrentes e cínicas falcatruas de políticos nem pela impunidade nem pela propaganda milionária usando dinheiro do contribuinte, enganadora e lesiva à sociedade.
       Sou da área de Letras e com muito orgulho porque, ao me decidir sobre o que pretendia da vida, já sabia que, a despeito de todos os grandes óbices encontrados no próprio campo dos estudos literários, no meio literário, tanto dentro dos muros acadêmicos quanto na vida cá fora, no cotidiano brasileiro, só me sentiria feliz e relativamente realizado. Esta nunca será plena e tal raciocínio se estende ao ser humano em geral.
      Por essas premissas é que costumo ouvir a voz das pessoas de diferentes níveis de escolaridade, as conversas com um e outro, em lugares diversos: supermercados, bancos, filas, o somatório das informações da imprensa, editorais, artigos de bons colunistas e cronistas, programas televisivos, entrevistas, os papos com conhecidos e amigos e, last but not least, a minha longa experiência docente. Ah, faltou outra aliada para o entendimento do meu país: a literatura brasileira em todos os gêneros, as leituras em outras áreas do conhecimento humano e o que aprendi com o passar dos anos.
     Equipado com todo esse background, me sinto preparado a enfrentar os debates sobre questões cruciais e emitir minhas opiniões sobre temas que me chamam a atenção. Opiniões que podem ser divergentes para muita gente, porém que refletem o meu jeito de ver e entender o que me cerca social, politica e culturalmente.
      Desta maneira, não estou feliz com o que ocorre com o atual governo federal nem com os governos mais recentes, em muitos aspectos desastrosos ainda que aclamados por tanta gente letrada e de bom caráter, alguns até amigos.
     A maior pendência(pândega?)  política atual é a tal reforma previdenciária. Diante do tema, me pergunto: “qual foi o fator determinante para que essa reforma se tornasse assim tão vital ao país? Não seria mais acertado e urgente se responder por que o Brasil chegou a essa situação de desespero financeiro? Me respondam, então, os políticos. Por que há uns 15anos não se fez nada para deixar que o problema de ajuste fiscal chegasse ao nível supostamente ameaçador?
     O governo Temer quer, por força de compra de votos de parlamentares sem espírito público, que somar votos suficientes de partidos aliados a fim de que a reforma da previdência seja aprovada? Não seria o caso de se indagar por que governos recentes seguidamente gastaram perdulariamente o que não podiam e, agora, vêm posar de salvadores de um país que maltrata a sociedade e principalmente os mais desafortunados? Temos nós como povo que pagar por toda a ilícita gastança rabelaisiana, sobretudo do Executivo e Legislativo. Não, Sr.Temer, não é assim que a banda toca. Não me venha afirmar que o funcionalismo federal tenha que pagar pelo pato das mordomias nababescas que o governo federal usufrui com voracidade. Há limites, Presidente, para tudo, até para o cinismo que pratica às escâncaras e sem nenhum constrangimento de parlamentares.
    O fato de o Sr. determinar, através do frio e calculista atual Ministro da Fazenda, o congelamento dos salários dos funcionalismo por um ano ou dois, além de injusto é perverso tendo em vista que o custo de vida tem aumentado sem dó e maltratado o bolso do barnabé. Veja que o seu governo, assim como outros que o precederam, determina, pela agências federais, o constante e alto aumento dos remédios, dos planos de saúde, dos vorazes impostos embutidos na compra de qualquer item de produtos vendidos, das tarifas diversas (gasolina, gás, etc.). Isso, no mínimo, é outra maldade de seu governo.
     Tudo, no comércio, na indústria e em outros setores de negócios está aumentando de preço. Enquanto isso, é forçoso reiterar, os salários dos servidores federais, combinado com os estaduais e municipais, permanecem imobilizados. Isso é uma insensatez.
    Por outro lado, na televisão pipocam as mentiras governamentais gastas a peso de ouro, tão nocivas e inoperantes quanto as chamadas propagandas eleitorais obrigatórias com seus discursos demagógicos e que não mais convencem espectadores conscientes.
   O bem-estar dos palacianos não é o da população miserável deste país com futuro sempre adiado. Brasília politicamente deu as costas para as vicissitudes por que passa o nosso povo. Pagará caro por isso.

   Estejam certos os governantes do país de que “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.” As eleições de 2018, de alguma forma, mostrarão a esses políticos que o pais com a Internet e as redes sociais, com os vídeos viralizando pelo mundo afora, mostrando como se comportam governantes, ministros, deputados, senadores, prefeitos e vereadores é outro e menos ingênuo. Os eleitores serão mais cautelosos, pensaram duas ou mais vezes antes de darem o voto e é nessa fase de corrida aos mandatos que a porca torcerá o rabo. Quem viver, verá.

  A voz do povo – diz a velha expressão - é a voz de Deus; todavia, no caso brasileiro, tem sido, infelizmente, a voz de um presidente denunciado pela Polícia Federal e Ministério Público. O Sr. Temer quer ficar na História brasileira como o "salvador da Previdência Social" com um séquito de bondosos ministros, todos eles amigos do povo... 

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