Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Letra viva - Cunha e Silva Filho
Cunha e Silva Filho
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MODERNISMO BRASILEIRO: A DIMENSÃO QUE LHE FALTOU (CONCLUSÃO)

 

 

                                                                                                             CUNHA E SILVA FILHO

 

6. CONCLUSÃO

    
             É ponto pacífico que o Modernismo brasileiro foi o grande emancipador da literatura brasileira, sobretudo pelo que pôde realizar e de atualizador da realidade nacional, aproximando-se, se não do povo, ao menos de nossos crônicos problemas sociais.
Não é possível que a esta altura do desenvolvimento alcançado pelo país, posto que com tantas desigualdades e injustiças gritantes, a surrada questão xenófoba possa tomar força entre defensores nacionalistas provincianos que não vêem na troca de cultura a vantagem de países se beneficiarem mutuamente. O que seria reprovável é a completa passividade do povo em geral de só valorizar voluntariamente, ou por influência de um colonialismo cultural ainda arraigado e reforçado pelo globalização da mídia, o que é de fora, sejam teorias modas, produtos ou lazer.
Repensar o movimento Modernista a partir da perspectiva do povo, tanto como sujeito de nossa realidade como voz narracional é um passo decisivo para integrarmos o movimento em suas raízes autônomas que pudessem continuar nessa direção o filão inaugurado por Manuel Antônio de Almeida, passando – por que não? – por Machado de Assis (1839-1908), Lima Barreto (1881-1922), Marques Rebelo (1907-1973), Antônio Fraga (1916-1973), e alcançando resultados brilhantes em João Antônio.
Os conceitos de Modernismo e Modernidade não podem ser dissociados de pressupostos econômicos e culturais, mas também não são corolários indispensáveis ao desenvolvimento só pelo caminho do neoliberalismo. Entretanto, nos parece que os tentáculos neoliberais procuram instilar nos espíritos menos avisados que as premissas da Modernidade devam sempre estar nas promessas da economia programada além fronteiras. É possível ser moderno sem ser neoliberal e sem ser tampouco xenófobo.

 

7 . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

1.ASSIS, Machado de. Obra completa.Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1977. Org. por Afrânio Coutinho, V. III.
2.ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. São Paulo: Ática, 1989. Série Tema, v. 9. Trad. de Lóror Lourenço de Oliveira.
3.BOURDIEU, Pierre. Contrafogos – táticas para enfrentar a invasão do neoliberalismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. Trad. De Lucy Magalhães.
4. BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 3. ed. São Paulo: Cultrix, 1986.
5. BRASIL, Assis. História crítica da literatura brasileira.O  Modernismo. Rio de Janeiro: Pallas S.A., 1976.
6.COUTINHO, Afrânio. Conceito de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.
7. EAGLETON, Terry. Teoria literária – uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Trad. de Waltensir Dutra..
8. HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Pós-Modernismo e política. (org.).
Rio de Janeiro: Rocco, 1991.
9.MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia – dos pré-socráticos a Wittenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.
10. PORTELLA, Eduardo. Fundamentos da investigação literária. 3. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1981.
_______. Confluências – manifestação da consciência comunicativa. 1. ed. Rio de Janeiro: Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1983.
11_____ et alii. As modernidades. Revista Tempo Brasileiro, 84:5/9. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1986.
12. ____ et alii. Premissas e promessas da modernidade. Revista Tempo Brasileiro,130/131: 5/10. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.
13._____et alii. Qual modernidade? Revista Tempo Brasileiro, 111: 109/112. Rio de janeiro, 1992.
14._____et alii. Sentido(s) da modernidade. Revista Tempo Brasileiro,76: 118/127. Rio de  Janeiro: Tempo Brasileiro,1984.
15. ROUANET, Sérgio Paulo et alii. Perspectivas da cultura brasileira no início do século XXI. Revista Tempo Brasileiro, 130/131: 83/103. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

16. THEODORO, Janice et alii. “América Latina”: visão especular. Revista Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

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