Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de maio de 2018
Letra viva
Cunha e Silva Filho
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INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO JÁ!

 I

 

 

                                                                                              CUNHA E SILVA FILHO


          O absurdo, leitor, é a gente saber que o Sr. Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, junto com outros parlamentares estão fazendo uma tour por alguns países gastando inutilmente o dinheiro do povo brasileiro em hotéis luxuosos e com diárias vultosas. Ninguém é idiota para acreditar que não estejam fazendo meramente turismo depois de votarem, a preço de emendas e outros benefícios concedidos generosamente aos deputados que votaram a favor do Presidente da República na segunda denúncia contra ele. Enquanto isso, o Estado do Rio de Janeiro vive os piores dias de violência sem limites que já ceifaram mais de uma centena de policiais e de civis vítimas de balas perdidas. Esta seguência de homicídios estarrece até os corações mais empedernidos. A situação é caótica e se espalha por todo o estado fluminense. Até Niterói que, durante muito tempo, era uma cidade calma e praticamente sem violência, hoje se alinha entre o resto dos municípios do Rio de Janeiro infestado por bandidos fortemente armados.
         Já é mais do que hora de o governo federal intervir corajosamente nesse mar de desordem social provocado pela alta violência no Rio de Janeiro. As lágrimas das mães de policiais assassinados e de mães de vítimas de assaltos e de balas perdidas continuam sendo vertidas diante do estado de impotência a que os moradores do Rio estamos relegados. Estamos assustados até as entranhas.
         Não estamos fazendo sensacionalismo irresponsável ou agindo como faz a imprensa marrom. Os próprios porta-vozes dos órgãos de segurança do Rio de Janeiro estão repetidamente ratificando o que aqui expomos com o único propósito de contribuir para a diminuição da violência, como cidadão brasileiro que sou e que há tempos vem escrevendo sobre o mesmo assunto de uma novela trágica que se assemelha a uma guerra urbana e se aproxima de alguns traços de guerra civil entre bandidos e bandidos e de bandidos contra policiais civis e militares.
          Não é possível que os homens dignos deste país que exerçam funções de alta relevância no Estado Brasileiro nada façam contra o estado de gravíssima ameaça que atravessa o Rio de Janeiro – estado, de resto, que, a despeito de ser atacado pelo mal tentacular da violência, ainda se defronta com as finanças arruinadas por facínoras que exerciam altos cargos nos dois mandatos do governo Cabral, sendo este preso por múltiplos crimes contra as finanças do Rio de Janeiro que provocarem sofrimento, dor, fome e desgraça material e psicológica no seio dos funcionários estaduais, os quais ainda vivem às voltas com o atraso de seus salários e sem perspectiva de um luz no túnel.
       O que as Forças Armadas têm feito foi oportuno, mas está longe de preencher as lacunas de medidas gerais (não pontuais) a fim de estrangular os focos de vendas de drogas e de uso de armamento pesado que chegam às mãos dos marginais com facilidade e em quantidade assustadora causando espécie a quem observa atentamente o desenrolar dessa selvageria e derramamento de sangue no Rio de Janeiro.
          Diante desse quadro abominável por que passa os habitantes do estado fluminense, sobretudo na capital, urge uma intervenção federal imediata, doa a quem doer, tanto no governo do Sr. Pezão quanto no comando geral da Polícia Militar, a qual não está dando conta dos urgentíssimos problemas que se colocam diante de vulnerabilidade da sociedade civil.
       Não me venham com teorias acadêmicas e ineficientes, além de abstrusas à compreensão do cidadão comum a fim de resolvermos a deplorável situação que se nos apresenta. Precisamos é de ações afirmativas, sem subjetividades nem justificativas atinentes a condições sociais e de direitos humanos. Sejamos realistas. Para isso, temos já algumas leis que, se aplicadas com rigor, muito agregarão ao abrandamento da atual situação anômala com que convivemos num salve-se quem puder e à base da lei da sorte, de não estarmos no lugar e hora errados para que uma atrocidade possa ocorrer. Ninguém, nem os habitantes das favelas, nem a classe média, nem a classe média alta, nem as elites econômicas, nem as autoridades estarão imunes a essa violência crescente e sem peias.
          Por isso, só vejo, pelo menos, duas saídas para essa crise inominável. Primeira, o governo federal deve de imediato traçar a composição de uma força-tarefa que possa estancar todos as possibilidades de entrada de armamentos e drogas em nossas fronteiras terrestres, marítimas e aéreas. Já que não nos encontramos em guerra contra país algum, as Forças Armadas, com todo o seu conhecimento e inteligência, além de armamento pesado, logística, estratégias bélicas, bem pode, sem abdicar de suas funções básicas, travar uma guerra sem trégua contra a bandidagem que nos vende armas e munições clandestinas além de drogas. Ao estancar todos esses pontos prováveis e improváveis, em que armamentos e munições possam penetrar em solo brasileiro, as Forças Armadas, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, em trabalho conjunto e com o apoio também das polícias militares e civis de todo o território nacional, sem dúvida resolverão significativamente os males da violência e das drogas ainda hoje em plena expansão pelo país afora.
        Segunda saída: livrar os morros e os asfalto do tráfico de drogas e de armas seria um passo decisivo, inclusive, prender o consumidor de drogas pego em flagrante nas bocas de fumo. Neste caso, que se faça valer a lei que proíbe a venda e o uso de drogas. Outra possibilidade, caso seja recalcitrante, que o usuário seja encaminhado a tratamentos do vício.
       Por outro lado, essas sugestões que apresento só teriam maior eficácia com outras medidas paralelas tomadas pelos órgãos de segurança: a fiscalização por agentes policiais de alta competência e seriedade em suas funções e bem remunerados Eles seriam pessoas-chave a fim de verificar o mau comportamento de policiais, a chamada banda podre, tanto da polícia civil quanto militar. Da mesma forma, seria preciso que valorizássemos as polícias civis e militares com bons salários e constituída de homens bem trenados, com boa escolaridade e com condições materiais e humanas d para exercerem suas funções e ganhar o respeito da sociedade. Sem uma polícia respeitada pela comunidade em geral, não teremos chance de melhorar a violência no país.
       É obvio que tudo isso exige grandes aportes financeiros dos Estados brasileiros. O Erário Público tem dinheiro e só não o utiliza corretamente porque as políticas públicas andam erradas e andam erradas porque a estrutura política está carcomida, degenerada e perdeu o total respeito do cidadão brasileiro.
Repito: o Rio de Janeiro não pode esperar para ver sua degradação absoluta e irreversível. A atual conjuntura nada tem mais a oferecer senão a indiferença com que tem tratado os mais graves problemas de que um Estado brasileiro poderia ser vítima por duas razões principais: a) porque governos do PMDB e aliados, em três mandatos ( o Sr Pezão é o continuísmo da tragédia provocada por Cabral e seus asseclas), quebraram sem piedade com rapinagem as finanças públicas do Rio de Janeiro; b) porque o governo federal ainda se mostra indiferente com a sorte dos que moram e escolheram morar no Rio de Janeiro – hoje palco de uma tragédia shakespeariana. E essa indiferença do governo federal tem causas de natureza político-partidária, o que, em última análise, configuraria mais um ação irresponsável dos homens em Brasília.

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