Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Letra viva
Cunha e Silva Filho
Tamanho da letra A +A

A QUESTÃO DO TETO DA PREVIDÊNCIA

 


                                                                                                    Cunha e Silva Filho


          O presidente Temer anda alardeando pelos quatro cantos do país que o país só melhorará em parte o déficit da Previdência Social se for implantada e aprovada a reforma proposta pelo  governo federal. Mas implantada pelo grupo que está no poder por técnicos e políticos que leem pela cartilha do PMDB – um partido que não tem lá apoio da maior parte do povo brasileiro e que, ao longo da história política brasileira, não se tem portado com tanta seriedade ética que seria de esperar de um agremiação partidária. Basta ver alguns passos da trajetória desse partido e das figuras que pertenceram e ainda pertencem a seus quadros, os antigos e os novos.
         Partido que não se recomenda pela lisura de muitos de seus políticos, partido ao qual pertenceu (pertence?) o repudiado Sergio Cabral – o pior governador que já teve o povo do Rio de Janeiro, o governador que levou o estado à ruína financeira e ao sucateamento da respeitada Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) através do maior assalto que se fez às finanças públicas fluminenses.
        Seu sucessor, o Sr. Pezão, não tem dado conta também do descalabro herdado do Cabral, permanecendo como um governador completamente perdido, sem direção, um barco à deriva enfrentando os agônicos problemas de falta de dinheiro tanto para dar continuidade à máquina administrativa em setores públicos setores vitais da população ( saúde, educação, segurança) quanto para pôr em dia o pagamento dos servidores, estes vítimas da perfídia do governo anterior que deixou atrás de si os destroços de um tsunami de sofrimentos, de aperturas financeiras no corpo e no espírito dos barnabés
       Será que o PMDB, com todo um curriculum cheio de denúncias feitas pela Operação LavaJato (inclusive contra o próprio primeiro mandatário da Nação) contra muitos dos seus correligionários ou aliados políticos, tem respaldo moral de se arvorar, agora, em salvador da Pátria? Receio que não. A partir dessas premissas, nada favoráveis, o PMDB dificilmente terá apoio da sociedade que, de resto, não foi consultada diretamente nesta questão de reforma previdenciária a não ser pela representação abstrata de políticos que, na maioria das vezes, só se preocupam com os seus interesses próprios e as disputas de cargos no atual governo federal, já que, quando eleitos, esquecem de quem lhes deu votos que os levaram à Câmara Federal e ao Senado.
     Adentremos, porém, na questão do teto salarial dos futuros aposentados. Segundo recentes pronunciamentos, o presidente Temer tem afirmado que todos os futuros aposentados serão igualados nos seus vencimentos e pensões. Para os valores de hoje não passariam de cinco mil e quebrados.                 Enfatizou o presidente: “Para todos, inclusive os políticos.” E aí cabe uma pergunta pertinente: “Presidente, e os outros setores públicos nos três Poderes: executivo, judiciário e legislativo? E as forças armadas? Será que um desembargador federal, um general, um almirante e um brigadeiro vão querer se aposentar com míseros cinco mil reais? E com ficará a aposentadoria dos deputados e senadores?
     Contentar-se-ão todos indiferentemente com esse teto? Por conseguinte, essa questão não está bem esclarecida para a sociedade e, ao que tudo indica, esse teto igualitário, democrático soa utópico ou mascarado. Cumpre esclarecer essa dúvida ou é ela mais outra falácia a fim de engabelar trouxas e desavisados?
     Acautele-se, pois, ó povo, contra essas estrepolias malazarteanas ou senão macunaímicas planejadas nos desvãos do poder executivo. Desconfie da esmola pequena, porquanto grande não é na aparência e na aplicação prática. Adoro um paradoxo, espicaçar o cérebro das pessoas. Ah, se dispusesse dos poderes intelectuais de um Fernando Pessoa!⁢ Esmola de menos o cego não desconfia. A picardia governamental há séculos tem feito bons ganhos à custa dos pascácios.
     Uma pergunta final me pressiona: por que o governo de um partido não muito amado, de repente, quer dar uma de bonzinho com o cordeirinho brasílico? Somos cordiais e ordeiros – eis o busílis da política ou é o nó górdio da questão? Deixo aos eleitores a reflexão sobre tudo que disse ou deixei de dizer. O texto é uma obra aberta, mas – repito o que ouvi de alguém muito arguto - – não é tampouco escancarada.
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

12.08.2018 - PASSANDO PELO CENTRO DO RIO DE JANEIRO

05.08.2018 - HOW GOES THE ENEMY?

27.07.2018 - Os males do Crivella: um prefeito que não deu certo

23.07.2018 - Á guisa de uma breve análise do poema

06.07.2018 - AVISO AOS LEITORES/ NOTE TO THE READERS/AVIS AUX LECTEURS/ AVISO A LOS LECTORES

27.06.2018 - PREFÁCIO DO LIVRO DE POESIA RESSACAS, DE CARLOS ALBERTO GRAMOZA VILARINHO

16.06.2018 - O CURSO DE LETRAS: SUA IMPORTÂNCIA, DESAFIOS E PERMANÊNCIA

08.06.2018 - Alguns fragmentos, meus e de outros

01.06.2018 - Poesia, sim, poesia!

21.05.2018 - Tradução do poema Canción de amor

06.05.2018 - Todos se dizem inocentes

28.04.2018 - Dois estudos práticos para o ensino da língua portuguesa no Brasil

27.04.2018 - Retrato de um político jovem

19.04.2018 - UM FÓRUM PARA DEBATES NO CAMPO LITERÁRIO

12.04.2018 - Massaud Moisés e sua importância nos estudos literários do Brasil

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

13.08.2018 - BUCHADA DE BODE NA FAZENDA DO ROCIO

Em seguida, disse que ele mesmo iria mandar preparar uma buchada, a ser feita com bode de seu próprio rebanho. Marcamos a data e o local do repasto.

12.08.2018 - PASSANDO PELO CENTRO DO RIO DE JANEIRO

Não cfoi hoje nem ontem

12.08.2018 - Julião Afonso Serra, um dos quatro grandes sesmeiros do Piauí.

O acadêmico Reginaldo Miranda traça o perfil biográfico de um dos conquistadores e maiores sesmeiros do Piauí

10.08.2018 - EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

10.08.2018 - EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

05.08.2018 - HOW GOES THE ENEMY?

o ePIFÂNICO

04.08.2018 - Cidadela saqueada

Fato é que o crime organizado está levando a melhor. Até quando?

04.08.2018 - violência nas escolas

Nunca mais ninguém o perturbou

02.08.2018 - Dois momentos felizes de uma bela tarde

O ponto alto da solenidade será o lançamento do livro “Câmara Municipal de Campo Maior: 256 Anos de História”, da autoria do professor e historiador Celson Chaves

01.08.2018 - Aborto: crime não pode deixar de ser crime

Não podemos calar diante da barbaridade.

01.08.2018 - MEU PROFESSOR DE HISTÓRIA

MEU PROFESSOR DE HISTÓRIA – ROGEL SAMUEL

31.07.2018 - Mario Benedetti

Mario Benedetti

27.07.2018 - Os males do Crivella: um prefeito que não deu certo

Eis um prefeito

26.07.2018 - Gênese de Emoção no Circo

Gigliola Cinquetti e o ingênuo “Dio, come ti amo” fizeram muitas adolescentes verterem profusas e sentidas lágrimas, com direito a profundos soluços e palpitações.

25.07.2018 - Eurídice

049

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br