Dilson Lages Monteiro Sábado, 19 de janeiro de 2019
Letra viva
Cunha e Silva Filho
Tamanho da letra A +A

A QUESTÃO DO TETO DA PREVIDÊNCIA

 


                                                                                                    Cunha e Silva Filho


          O presidente Temer anda alardeando pelos quatro cantos do país que o país só melhorará em parte o déficit da Previdência Social se for implantada e aprovada a reforma proposta pelo  governo federal. Mas implantada pelo grupo que está no poder por técnicos e políticos que leem pela cartilha do PMDB – um partido que não tem lá apoio da maior parte do povo brasileiro e que, ao longo da história política brasileira, não se tem portado com tanta seriedade ética que seria de esperar de um agremiação partidária. Basta ver alguns passos da trajetória desse partido e das figuras que pertenceram e ainda pertencem a seus quadros, os antigos e os novos.
         Partido que não se recomenda pela lisura de muitos de seus políticos, partido ao qual pertenceu (pertence?) o repudiado Sergio Cabral – o pior governador que já teve o povo do Rio de Janeiro, o governador que levou o estado à ruína financeira e ao sucateamento da respeitada Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) através do maior assalto que se fez às finanças públicas fluminenses.
        Seu sucessor, o Sr. Pezão, não tem dado conta também do descalabro herdado do Cabral, permanecendo como um governador completamente perdido, sem direção, um barco à deriva enfrentando os agônicos problemas de falta de dinheiro tanto para dar continuidade à máquina administrativa em setores públicos setores vitais da população ( saúde, educação, segurança) quanto para pôr em dia o pagamento dos servidores, estes vítimas da perfídia do governo anterior que deixou atrás de si os destroços de um tsunami de sofrimentos, de aperturas financeiras no corpo e no espírito dos barnabés
       Será que o PMDB, com todo um curriculum cheio de denúncias feitas pela Operação LavaJato (inclusive contra o próprio primeiro mandatário da Nação) contra muitos dos seus correligionários ou aliados políticos, tem respaldo moral de se arvorar, agora, em salvador da Pátria? Receio que não. A partir dessas premissas, nada favoráveis, o PMDB dificilmente terá apoio da sociedade que, de resto, não foi consultada diretamente nesta questão de reforma previdenciária a não ser pela representação abstrata de políticos que, na maioria das vezes, só se preocupam com os seus interesses próprios e as disputas de cargos no atual governo federal, já que, quando eleitos, esquecem de quem lhes deu votos que os levaram à Câmara Federal e ao Senado.
     Adentremos, porém, na questão do teto salarial dos futuros aposentados. Segundo recentes pronunciamentos, o presidente Temer tem afirmado que todos os futuros aposentados serão igualados nos seus vencimentos e pensões. Para os valores de hoje não passariam de cinco mil e quebrados.                 Enfatizou o presidente: “Para todos, inclusive os políticos.” E aí cabe uma pergunta pertinente: “Presidente, e os outros setores públicos nos três Poderes: executivo, judiciário e legislativo? E as forças armadas? Será que um desembargador federal, um general, um almirante e um brigadeiro vão querer se aposentar com míseros cinco mil reais? E com ficará a aposentadoria dos deputados e senadores?
     Contentar-se-ão todos indiferentemente com esse teto? Por conseguinte, essa questão não está bem esclarecida para a sociedade e, ao que tudo indica, esse teto igualitário, democrático soa utópico ou mascarado. Cumpre esclarecer essa dúvida ou é ela mais outra falácia a fim de engabelar trouxas e desavisados?
     Acautele-se, pois, ó povo, contra essas estrepolias malazarteanas ou senão macunaímicas planejadas nos desvãos do poder executivo. Desconfie da esmola pequena, porquanto grande não é na aparência e na aplicação prática. Adoro um paradoxo, espicaçar o cérebro das pessoas. Ah, se dispusesse dos poderes intelectuais de um Fernando Pessoa!⁢ Esmola de menos o cego não desconfia. A picardia governamental há séculos tem feito bons ganhos à custa dos pascácios.
     Uma pergunta final me pressiona: por que o governo de um partido não muito amado, de repente, quer dar uma de bonzinho com o cordeirinho brasílico? Somos cordiais e ordeiros – eis o busílis da política ou é o nó górdio da questão? Deixo aos eleitores a reflexão sobre tudo que disse ou deixei de dizer. O texto é uma obra aberta, mas – repito o que ouvi de alguém muito arguto - – não é tampouco escancarada.
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

17.01.2019 - GUERRAS INÚTEIS

06.01.2019 - Nathan Sousa: um poeta em ascensão

26.12.2018 - A AGENDA MÁGICA

16.12.2018 - CRIMES NA CATEDRAL: MIMETISMO IANQUE?

04.12.2018 - O AUTOR E AS GRALHAS

18.11.2018 - No Facebook: entre o comentário e o artigo

13.11.2018 - Comentário e reflexão sobre esquerdismo e direitismo no Brasil e no Mundo

10.11.2018 - Sobre a deplorável condição do professor do ensino fundamental e médio público

08.11.2018 - Pendotiba é uma Pasárgada

02.11.2018 - Sobre a condição de ser crítico no moldes de Agripino Grieco

05.10.2018 - A AMIZADE: BREVÍSSIMA REFLEXÃO

27.09.2018 - COTIDIANO BRASILEIRO ATUAL

25.09.2018 - BERNARDO GUIMARÃES E JOÃO GUIMARÃES ROSA: DOIS CASOS DE METANARRATIVA

13.09.2018 - Reflexão sobre o chamado ensino domiciliar

12.09.2018 - TRISTE CENA BRASILEIRA

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

17.01.2019 - GUERRAS INÚTEIS

rEPUBLICADO

14.01.2019 - TIO GENARO E ANTÔNIO

TIO GENARO E ANTÔNIO

12.01.2019 - Trata-se de casos raros

Por que se diz “Trata-se de casos raros” mas ao mesmo tempo se pluraliza o verbo numa frase semelhante: “Tratam-se casos raros de câncer naquele hospital”?

10.01.2019 - O poeta João Carvalho na ágora do Ágora

Quando fui juiz em Capitão de Campos, já ouvia falar no João Carvalho, que havia sido médico nessa cidade, como um cidadão bem-humorado e cordato. Depois, o conheci pessoalmente e atesto essa opinião.

10.01.2019 - Pronome SE e indeterminação do sujeito

Vejamos os casos em que o verbo acompanhado do pronome se não configura voz passiva e, portanto, não se pluraliza

09.01.2019 - Algumas leituras de 2018 - III

Prosa contemporânea, livros sobre livros

08.01.2019 - Livre-se

Acredito que quase todos os Extraordinários tenham problemas de espaço em casa no que toca à arrumação dos livros

08.01.2019 - NOVO TEXTO DE "A PANTERA"

NOVO TEXTO DE "A PANTERA"

07.01.2019 - Algumas leituras de 2018 - II

Ficção científica, fantasia, autores paraibanos

06.01.2019 - Nathan Sousa: um poeta em ascensão

Não se pode negar

05.01.2019 - Algumas leituras de 2018 - I

Aqui vão algumas das minhas leituras de 2018

04.01.2019 - Quarta-feira de Cinzas, sermões

O Padre Antônio Vieira é um notável autor binacional, brasileiro e português, vejamos um dos seus livros.

02.01.2019 - AS VOLTAS QUE A VIDA PODE DAR

Mudar é difícil. Aceitar a necessidade da mudança é ainda mais complicado. É sempre menos perturbador permanecer na mesma rotina de todos os dias, sabendo exatamente como agir ou quais decisões tomar.

26.12.2018 - A AGENDA MÁGICA

Era uma agenda

25.12.2018 - Auto de Natal em Copacabana

Auto de Natal em Copacabana

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br