Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Letra viva
Cunha e Silva Filho
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A QUESTÃO DO TETO DA PREVIDÊNCIA

 


                                                                                                    Cunha e Silva Filho


          O presidente Temer anda alardeando pelos quatro cantos do país que o país só melhorará em parte o déficit da Previdência Social se for implantada e aprovada a reforma proposta pelo  governo federal. Mas implantada pelo grupo que está no poder por técnicos e políticos que leem pela cartilha do PMDB – um partido que não tem lá apoio da maior parte do povo brasileiro e que, ao longo da história política brasileira, não se tem portado com tanta seriedade ética que seria de esperar de um agremiação partidária. Basta ver alguns passos da trajetória desse partido e das figuras que pertenceram e ainda pertencem a seus quadros, os antigos e os novos.
         Partido que não se recomenda pela lisura de muitos de seus políticos, partido ao qual pertenceu (pertence?) o repudiado Sergio Cabral – o pior governador que já teve o povo do Rio de Janeiro, o governador que levou o estado à ruína financeira e ao sucateamento da respeitada Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) através do maior assalto que se fez às finanças públicas fluminenses.
        Seu sucessor, o Sr. Pezão, não tem dado conta também do descalabro herdado do Cabral, permanecendo como um governador completamente perdido, sem direção, um barco à deriva enfrentando os agônicos problemas de falta de dinheiro tanto para dar continuidade à máquina administrativa em setores públicos setores vitais da população ( saúde, educação, segurança) quanto para pôr em dia o pagamento dos servidores, estes vítimas da perfídia do governo anterior que deixou atrás de si os destroços de um tsunami de sofrimentos, de aperturas financeiras no corpo e no espírito dos barnabés
       Será que o PMDB, com todo um curriculum cheio de denúncias feitas pela Operação LavaJato (inclusive contra o próprio primeiro mandatário da Nação) contra muitos dos seus correligionários ou aliados políticos, tem respaldo moral de se arvorar, agora, em salvador da Pátria? Receio que não. A partir dessas premissas, nada favoráveis, o PMDB dificilmente terá apoio da sociedade que, de resto, não foi consultada diretamente nesta questão de reforma previdenciária a não ser pela representação abstrata de políticos que, na maioria das vezes, só se preocupam com os seus interesses próprios e as disputas de cargos no atual governo federal, já que, quando eleitos, esquecem de quem lhes deu votos que os levaram à Câmara Federal e ao Senado.
     Adentremos, porém, na questão do teto salarial dos futuros aposentados. Segundo recentes pronunciamentos, o presidente Temer tem afirmado que todos os futuros aposentados serão igualados nos seus vencimentos e pensões. Para os valores de hoje não passariam de cinco mil e quebrados.                 Enfatizou o presidente: “Para todos, inclusive os políticos.” E aí cabe uma pergunta pertinente: “Presidente, e os outros setores públicos nos três Poderes: executivo, judiciário e legislativo? E as forças armadas? Será que um desembargador federal, um general, um almirante e um brigadeiro vão querer se aposentar com míseros cinco mil reais? E com ficará a aposentadoria dos deputados e senadores?
     Contentar-se-ão todos indiferentemente com esse teto? Por conseguinte, essa questão não está bem esclarecida para a sociedade e, ao que tudo indica, esse teto igualitário, democrático soa utópico ou mascarado. Cumpre esclarecer essa dúvida ou é ela mais outra falácia a fim de engabelar trouxas e desavisados?
     Acautele-se, pois, ó povo, contra essas estrepolias malazarteanas ou senão macunaímicas planejadas nos desvãos do poder executivo. Desconfie da esmola pequena, porquanto grande não é na aparência e na aplicação prática. Adoro um paradoxo, espicaçar o cérebro das pessoas. Ah, se dispusesse dos poderes intelectuais de um Fernando Pessoa!⁢ Esmola de menos o cego não desconfia. A picardia governamental há séculos tem feito bons ganhos à custa dos pascácios.
     Uma pergunta final me pressiona: por que o governo de um partido não muito amado, de repente, quer dar uma de bonzinho com o cordeirinho brasílico? Somos cordiais e ordeiros – eis o busílis da política ou é o nó górdio da questão? Deixo aos eleitores a reflexão sobre tudo que disse ou deixei de dizer. O texto é uma obra aberta, mas – repito o que ouvi de alguém muito arguto - – não é tampouco escancarada.
 

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