Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Letra viva
Cunha e Silva Filho
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PASSANDO PELO CENTRO DO RIO DE JANEIRO

 

 

 
 
 
                                                                        CUNHA E SILVA FILHO
 
 
 
 
       Não  foi  hoje nem ontem, nem anteontem. Foi numa das vezes nos últimos dias que dei um pulo pelo Centro do Rio. Tenho-o evitado por uma razão mais forte: um pouco de medo da violência. Contudo, não é esse o motivo pelo qual tenho deixado de ir sempre a essa parte  da Cidade Maravilhosa que me é tão cara por tantas razões que daria uma outra crônica. Considero-me um bom ou mesmo  ótimo amigo dessa cidade  que escolhi pra viver. Nela resido há meio século e quebrados. Dizem que quem ama não encontra defeitos na pessoa amada e o Rio é mais do que uma cidade. É uma pessoa amada.  Com o  longo tempo de convívio com ela sei quais são os seus  defeitos e as suas qualidades, estas bem maiores de que aqueles. É por amar o Rio e querer-lhe bem que me ponho com um pé atrás e por isso  faço questão de apontar-lhe os defeitos que ora pude constatar na mencionada vez  que andei pelo Centro
 É óbvio, leitor, que tenho direito de mostrar onde  o Centro está ruim, péssimo mesmo. Não por culpa da cidade em si, i.e., da alma dessa metrópole, alma essa   que estão querendo  matar por absoluta  falta de amor à cidade, que não merece tal descarte da autoridade municipal, do alcaide de plantão, de alguém que não sei por cargas dágua virou prefeito do Rio           Chegando ao Centro, me deparo com um lugar feio, apinh de camelôs surgidos alarmantemente país com a situação deplorável da crise  de recessão  e desemprego que se abateu pelo país.
             Andando  pelas ruas principais do Centro, ruas que aprendi a amar -  vejo um ar de pobreza, de decadência, de falta de energia, de vitalidade,  tão diferente daquela vez em tempo longínquo  quando um jovem de dezoito anos  andava pelas  linda Avenida Rio Branco, movimentada, feérica, cheia de pessoas bonitas, bem vestidas  animadas, cuidando  de suas vidas  e problemas. No Centro havia muitas lojas abertas, funcionando plenamente, a todo vapor.  Havia muitas livrarias e muitos bons sebos espalhados por todo o entorno. Na Rua da Carioca,  era grande o número de lojas com diferentes tipos de comercio bem movimentado, com muita clientela. Hoje, o que encontrei: a Rua da Carioca  feito um fantasma perdido nos braços da decadência, com portas fechadas, rua  morta diante dos meus olhos dividido entre o passado alegre e ruidoso  e o presente entristecido e silencioso.Não é possível tanta quebradeira.
    Diante de mim, o presente são ruínas de um antigo Centro sucateado pelos maus tratos que um governador vilão dispensou velhacamente ao Rio de Janeiro e por um governo municipal e outro federal  que  teimam em tornar mais  moribundo  uma cidade e um Centro que eram o orgulho dos cariocas, dos brasileiros e estrangeiros que por aqui nos vêm ainda visitar.
        É evidente também que o Centro dispõe de algumas  reservas de beleza a oferecer ao ilustre visitante. Se a Praça Tiradentes  está desmilinguida,  sem graça, nem beleza é ainda possível estender a vista para a belíssima Praça Paris, em frente da qual existe  um lugar ainda   aprazível ao olhar, que é o Parque do Flamengo, a Baía da Gunabara. As marinas e, ao longe, o belo bairro da Urca, já à altura de Botafogo, além do majestoso Pão de Açúcar. Entre o cenário grotesco da decadência.
ia do Centro e  e a paradisíaca  paisagem  natural  carioca bem se poderia bem  afirmar que o   Rio é uma recanto barroco no bom sentido desse estilo natural-artificial.
         Retorno às considerações sobre o estado de penúria e de fealdade que está  pedindo socorro: a Praça Tiradentes, o número altíssimo  de camelôs desordenadamente distribuído por todo  o Centro, a Rua da Carioca que clama para voltar ao seu  estado anterior  com comércio vivo e pulsante, o Largo da Carioca (antigo Tabuleiro da Baiana)  também infestado  por   camelôs, malandros,  batedores de carteiras, mendigos, desocupados, as ruas  antigas mais distantes que  não são nunca  reformadas  nas suas fachadas, como ocorre em cidades europeias e em outros países do mundo que preservam  o legado da arquiteturas de seus prédios  casas
         Espero que os próximos  prefeitos do Rio de Janeiro  não só cuidem do que ainda  presta no Centro da cidade mas também  priorizem um plano de governo que faça  do Centro do  Rio um cartão de visitas  recuperando o antigo encanto  e a alma dessa cidade que não pode ser vítima da incompetência a um só tempo de péssimos governantes como o atual prefeito, um governador venal já preso e um atual governador  incompetente e omisso.
       Não resta dúvida de que o ex-prefeito Eduardo Paiva, com todos os muitos  defeitos  que nele podemos apontar, em muitos aspectos,  soube conduzir a sua gestão  com resultados relativamente  positivos, como a revitalização  da área do Porto do Rio de Janeiro,  da Praça Mauá, os bondes elétricos que cortam o Centro, os ônibus das linhas do BRT, o pagamento dos funcionalismo em dia, alguns  pequenos reajustes nos vencimentos,  bônus de Natal, presença da Guarda Municipal  nos bairros, melhor ordenamento  dos camelôs pela cidade, entre outras obras.
          Espero ainda ver  o meu Centro da cidade revigorado, um lugar em que se possa  andar sem medo  de  ser assaltado, com uma vida comercial dinâmica, com belas  livrarias,  teatros em funcionamento, vida noturna, uma Lapa segura e com interna vida noturna, sem cracudos nem bandidagem, com bons cinemas,  casas de shows,  feiras de  livros  como antigamente e outras atrações  de diversões  diurnas  e  noturnas.            Enfim,  um Centro festeiro brincalhão,  bem policiado, cheio do bom humor carioca, um Rio moderno sem perder os velhos traços de uma cidade com alma e coração aberto e sincero, um Centro de uma cidade que nasceu para  ser bela e hospitaleira,  amante do samba de raça, do sotaque chiante, das  lindas mulatas, das mulheres de  curvas perfeitas, do invejável carnaval carioca e dos refúgios de um boteco requintado e  pujante de vida. Rio quarenta graus,  Rio brasileiro. Por um Centro de   nossos sonhos  irradiando belezas e contentamento aos  bairros  tanto os mais humildes quanto os mais  refinados.  Um Rio de todos os brasileiros e de todos que o venham visitar. O Centro da cidade é o  ponto de partida e de retorno do que queremos   para ele, por ele e com ele. Viva o Centro! Um    abraço  carinhoso deste “carioca”por opção e antiguidade.
 

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