Dilson Lages Monteiro Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
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Carta/resenha de Histórias de Évora (*)

Carta/resenha de Histórias de Évora (*)

Meu caro mestre Elmar,

Foi quase de uma sentada só, de um único folego que li seu livro Histórias de Évora.  Acredito que seu primeiro romance, visto que de sua lavra conheço ensaios, contos e poesias. Foi sem dúvida uma bela estreia, merecendo todas as congratulações pela iniciativa e mais ainda pela criatividade.

Como você mesmo confessa a obra contém certas histórias vividas pelo autor, por amigos e outras concebidas pela imaginação criadora, todas elas adaptadas ao contexto pretendido.

Confesso que Histórias de Évora me levaram à juventude vivida em minha Floriano, nada diferente da sua cidade fictícia, iguais às nossas do interior. Recordei várias passagens vividas por mim e amigos daquela época, alguns dos quais perdi o contato ao longo da vida, mas que agora vieram à mente com o gosto da saudade.

Relembrei a retreta dominical na praça Sebastião Martins, sempre sob a batuta do Mestre Eugênio. As salas de aulas do Educandário Santa Joana D’Arc e do Ginásio Santa Teresinha e assim muitos professores a quem devo os primeiros passos de minha formação. Foi fácil voltar à memória o Bar São Pedro, a Sertã, o Flutuante, que ainda sobrevive. Seu livro também me fez recordar o Bumba meu Boi que Né Preto comandava no mês de julho e terminava sempre nas margens do rio Parnaíba, onde o boi ia beber água. Foi ótimo relembrar os carnavais com os blocos Os Piratas, Os Malandros, o Bota pra Quebrar, Os Pilantras, onde todos se divertiam sadiamente visitando casas familiares previamente selecionadas para ali cantar, tocar, comer e beber por conta da gentileza dos anfitriões. Foi muito bom voltar à memória a nossa “Zona Planetária” onde pontuavam o Maracangalha, a Eva, a Pretinha, todos fazendo parte do complexo Pau num Cessa. 

Creia-me meu caro poeta, Histórias de Évora foi uma leitura gostosa em muitos sentidos, mas confesso o saudosismo, aquele que nos traz de volta a vivências agradáveis, foi o sentido maior. 

Parabéns, meu caro mestre. Estou ansioso pela próxima obra que com certeza já está na forma.

Seu sempre admirador

Cristóvão Augusto de Araújo Costa

(*) Carta internética (e-mail) enviada pelo autor, após a leitura de Histórias de Évora, romance de Elmar Carvalho. Cristóvão Augusto é servidor público federal aposentado e é um dos editores da Coleção Florianenses, importante periódico publicado pela Fundação Floriano Clube.   

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