Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 19 de junho de 2018
Deleitura - Luiz Filho de Oliveira
Luiz Filho de Oliveira
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Aviso aos desavisados

Aviso aos desavisados

 

 

 

 

 

 

Quem for ler meu próximo livro de poesia, “Das Bocadas infernéticas”, a sair pela Editora Penalux, de Guaratinguetá-SP, se conhecer meus dois primeiros trabalhos (“BardoAmar”, de 2003, e “Onde Humano”, de 2009), vai sentir o desvio temático num aspecto: a presença de poemas mais desbocados. Essa desbocação vai tanto pro lado da sátira, passando pela escatologia, quanto pro da poesia fescenina, que é o assunto a que gostaria de me-referir aqui.

Desde Pietro Arentino, com seus deliciosos “Sonneti Lussuriosi”, ao Boca do Inferno, com suas glosas de gozar muito sexual e satiricamente, a Bernardo Guimarães, com seu “Elixir do Pajé”, até chegarmos por ejaculação precoce (rapidinho!) a Glauco Mattoso, com sua explícita “Poesia Vaginal – Cem Sonettos Sacanas”, temos gozado muito esse gênero de poesia. Essas e outras leituras me descredenciaram da “pureza”, idealizada, que a poesia amorosa, por exemplo, expõe aos seus leitores. Daí, hoje, essa minha poesia estar inseminada de termos chulos e mesmo lúdicos para designar o sexo e seus elementos pirocais (Ops!), principais...

Por isso, estou avisando aos desavisados que, se houver algum resquício de pudorismo em suas leituras, não penetre esse livro – ainda mais nesses tempos de discursos fundamentalistas, em que até vestir vermelho ou amarelo pode causar problemas! Pra dar um toque mais profundo, introduzo-lhes este soneto – o último poema que escrevi para o livro -, em que homenageio o grande Manuel Maria de Barbosa du Bocage e dedico a Glauco Mattoso, o grande “desarauto da poesia fescenina” no Brasil.

Nesse soneto enviesado, meto a língua num tema que não foi caro aos poetas de séculos passados (pra mim, portanto, não saiu barato!): o sexo oral. Beijemos, pois, pois, o poema:

 

DESBOCADOS BEIJOS POR BOCAGE

 

Se a boca age para beijar bocetas,

ela foge dos antigos à tradição,

Poeta, pois chupar esses conos não

era o que tu gozavas como petas!

 

Como o-sabes, tua foda lisboeta,

depois de passares pelo Nicola,

só ocorreu com disparos da pistola

que tu apontavas pra uma greta!

 

Crê-se que, nas fodais recreações

das antigas, talvez fosse algum nojo

que afastasse de conos os manganões,

 

como tu; já beijar clitóris, hoje,

Elmano, não acumula senões,

senão fazer à xana orgasmo em gozo!

 

 

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Comentários (1)

Prezado Luiz Filho: O anúncio alvissarei (pelo menos para mim ) do seu novo livro,"Da bocadas infernéticas" compõe um corpus poético tematizando a dimensão anti-apolínea e, como tal, instaura o seu universo poético na contramão dos não-comportados, dos "purinhos" corações suscetíveis de burguesoides e mesmo das classes média ou alta, todas puritanas para uso externo. Estes formam um grande grupo de hipocrisia avessa à literatura escatológica e fescenina mas de valor artístico-poético logo posto à prova por um soneto desse indicado no seu artigo. O poeta, em qualquer parte ou tempo, tem seu público alvo, e a sua mensagem se dirige a ele. Não há trava que impeça a literatura desviante dos temas do "sermo nobilis." Ora, o poeta, o ficcionista, o dramaturgo, o artista em todas as artes, não têm compromissos de agradar ou desagradar alguém. Antes somente atende ao seu projeto poético, que nada tem a ver com literatura edificante ou moralizante. Sua meta é atingir o ethos no campo da estética, da linguagem e sua forma específica de criar formas e ideias numa combinatória na qual - repito -, a linguagem tem que jogar seu papel proeminente. É dentro dessa posição tomada que o autor faz avançar o campo poético, o da transgressão,o do anticomodismo, o da novidade emuladora com o legado do tradição literária mas não a ele subserviente. Não existe poesia sem renovação, sem um salto para o futuro que até pode ser incerto mas que valerá a pena apesar de todos ou de tudo. Cunha e Silva Filho

Cunha e Silva Filho
postado:
20-03-2016 12:35:51

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