Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Chronos - Ribamar Garcia
Jose Ribamar Garcia
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Réquiem a um grande piauiense

[José Ribamar Garcia]                                                      

Refiro-me a esse dinâmico piauiense de Piracuruca, José Alves Fortes Filho que adotou Teresina – e por ela  adotado.

Em Teresina, constituiu família com dona Luciene Fortes, escreveu sua sólida obra, composta por  mais de uma dezena de livros e exerceu com independência, dignidade e denodo o jornalismo. Foi um profissional exemplar.  Tive a honra de conhecê-lo no final da década de 80, quando de uma visita ao Cronista-mor da cidade, A.Tito Filho, então presidente da Academia Piauiense de Letras (APL). Lá estava ele, com aquela simplicidade que lhe era característica e aquele olhar brilhante e percuciente. Era o Secretário do “Notícias Acadêmicas”, órgão oficial dessa instituição. A partir daí, estreitamos relacionamento.  Sempre que eu ia à Teresina o procurava.

Uma dessas coincidências da vida: José Fortes morava na Avenida Duque de Caxias, outrora caminho para o bairro de Buenos Aires, onde viviam minhas tias paternas. De forma que  levei a infância cruzando-o. Ora nos ombros de meu Pai,  ora nos do meu tio . Mais tarde, no limiar da adolescência, o percorria  de bicicleta.     

José Alves Fortes Filho foi um apaixonado pelas Letras, Artes e Cultura, em geral. Dedicou boa parte da  vida na  sua divulgação. Fundou a Academia de Letras da Região de Sete Cidades (Alresc) e o Instituto do Mérito Cultural Leonardo Castelo Branco, assim como participou ativamente da fundação de outras, dentre elas, a de Letras e Belas Artes de Floriano e Vale do Parnaíba Albeartes). De algumas presidiu com eficiência.           

Da sua sólida obra, de temática variada, atestou o ilustre acadêmico Herculano Moraes: “A obra de José Fortes Filho se bifurca em três planos: a análise da vida cultural do Piauí, seus movimentos, suas tendências; O estudo, análise e doutrinas do pensamento jornalístico da atualidade e o levantamento da história piauiense, em seus contornos emancipacionistas.” 

Também a ele se referiu o saudoso – e sempre relembrado -  Mestre e membro da APL, o Acadêmico Cunha e Silva: “ O escritor é hoje uma das mais lídimas expressões de intelectualidade nova do Piauí.”

Quando da apresentação do seu livro “Literatura & Arte”, feita por  A.Tito Filho, assim se referiu o cronista-mor da Cidade Verde: “ José Fortes é, inegavelmente, uma inteligência útil à coletividade; amigo sincero e leal; cultiva uma verve permanente e revela nesse livro uma espécie de homem plural, do ponto de vista da inteligência , porque fala de todos os assuntos, com uma leveza estilística muito admirável, correção de linguagem, de forma que devemos nos regozijarmos porque à literatura piauiense se incorpora mais um trabalho de valor.” 

José Fortes era uma pessoa acessível, cordial e rigorosamente íntegro. Foi, sem dúvida, um jornalista e escritor destemido, aguerrido e amava o que fazia. E o fazia bem.

O Piauí perdeu um grande filho. E nós, que ficamos, vamos aumentando nosso relicário de saudades.

 

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