Dilson Lages Monteiro Quarta-feira, 26 de setembro de 2018
Baque - Geraldo Lima
Geraldo do Santos Matos Lima
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A vida um pouco melhor

 

Por Geraldo Lima

 

A impressão que temos, a cada dia que passa, é que o tão propalado espírito de civilização não passa de miragem, de utopia, de algo realmente inatingível, tantas são as barbáries que assolam nosso cotidiano. E aqui, em terras tupiniquins, é que a coisa parece ainda pior, e a dita civilização não prospera mesmo. Porém, se olharmos com mais atenção, afastando um pouco o cipoal de pessimismo, vamos descobrir, aqui e ali, algumas ações e atitudes que nos aproximam da tão desejada cultura civilizada.

 

Aqui no Distrito Federal, por exemplo, apesar das mazelas políticas e tais, o respeito à faixa de pedestres é algo que nos deixa orgulhosos. Algo que nos dá a sensação de estarmos pisando o chão firme e confiável de uma terra de indivíduos civilizados.  Há, certamente, os infratores, os que fecham os olhos, pisam no acelerador e vão em frente, dando a mínima para o pedestre. Mas esses são repudiados veementemente pela maioria que zela por esta conquista. Vez ou outra, o passar sem atender ao pedido do pedestre é fruto da desatenção, um lapso, mas nada que não se possa entender ou perdoar.

 

O fato é que a existência das faixas de pedestres exige de nós, motoristas e pedestres, um pouco mais de atenção. E essa disciplina só pode nos fazer bem. O respeito à vida do outro nos eleva cultural e espiritualmente. Já não nos encontramos no estado natural, onde prevalece a lei do mais forte. Se vivemos na cidade, num Estado de Direito, na Civitas, como diria Spinoza, o certo é que façamos valer o sentido de preservação. Viver e deixar que se viva.

  

Parece-me que, sem dúvida alguma, a cultura do respeito à faixa de pedestres se enraizou entre nós. Hoje, por exemplo, durante um trânsito intenso numa das vias públicas de Sobradinho, uma das cidades satélites de Brasília, vi uma cena fantástica e (por que não?!) comovente. Dois cachorros chegaram junto ao meio-fio, fizeram aquela paradinha básica para dar tempo de os carros frearem e depois atravessaram, calmamente, sobre a faixa de pedestres. É isso, aqui até os cães conquistaram o direito de atravessar a rua sem serem atropelados.

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